Conduzir conversas difíceis pode ser fácil

Rafael
06/04/2023

Comunicar o desligamento de alguém muito querido da empresa aos colaboradores. Pedir um aumento ao seu superior. Contar aos seus filhos que o cachorro da família morreu… Esses são alguns exemplos de conversas desafiadoras e que fazem parte da vida. Compartilho duas técnicas para conduzir esse tipo de interação que lhe ajudarão a sentir mais confiança.

Se vamos ter uma conversa, é preciso começar dizendo alguma coisa. E, acredite, o início muda o rumo das coisas. Imagine uma conversa em que a pessoa começa dizendo: “Vocês me tratam como se eu fosse um lixo! Essa empresa não me merece!” Como será que essa conversa terminou? O desfecho não sabemos, mas que o começo foi mal podemos perceber.

Existe um modo de começar uma conversa difícil de uma maneira bastante eficaz, que é usando a terceira história. Além da sua história e da história da outra pessoa envolvida, toda conversa inclui uma terceira história invisível.

É a versão que um observador ou mediador daria sobre os fatos. Imagine esse alguém de fora, atento e neutro. Como ele descreveria essa situação, sem tomar partido ou ter qualquer interesse envolvido?

A terceira história resume o que está acontecendo, sem julgamento e sem presumir quem está certo e errado. Para isso, você não precisa estar ciente das implicações da história da outra pessoa (até porque isso pertence ao outro).

No exemplo acima, a conversa poderia começar assim: “Sou colaboradora desta empresa há 25 anos. Nesse período, tenho sido bastante dedicada, pontual, leal e cumpridora dos meus deveres e, inclusive, implementando muitos projetos novos… Esta empresa foi muito importante para mim.

Cresci muito como pessoa e profissional. Conquistei meu apartamento, paguei os estudos dos meus filhos. Sou muito agradecida. Ainda assim, às vezes, sinto que por mais que eu me esforce e dê o meu melhor, não sou recompensada nem valorizada por isso. Observo que isso acontece com outros colegas. Pode ser que falte uma política de reconhecimento. Gostaria de saber como você vê essa perspectiva?”

Tudo que você precisa fazer é admitir que existe uma história diferente da que a sua mente te conta.

Isso significa que você precisa dar um passo atrás para poder ver com mais profundidade o que está acontecendo.

Então, o outro pode responder: “Tenho a impressão de que você e eu vemos essa situação de maneira diferente. Gostaria de compartilhar o modo como eu a vejo e saber mais sobre como você está vendo isso. Seria possível?”

Sair da sua história não significa renunciar ao seu ponto de vista, mas abrir espaço para a criação de uma solução ouvindo as duas opiniões.

A segunda técnica para começar uma conversa difícil com o pé direito é fazer um convite: “O problema já foi descrito de forma que nós dois aceitamos. Agora, eu queria propor que nosso objetivo seja a compreensão mútua e a solução de problemas, e saber se isso faz sentido para você e se podemos conversar sobre isso?”

Convidar não é obrigar. Esteja ciente de que o outro pode não engajar com sua proposta ou não ser colaborativo durante o diálogo. Talvez ele precise lidar com seus sentimentos e emoções despertadas no diálogo. Dê o espaço que ele precisa para refletir e retomem a conversa quando estiverem mais prontos, com emoções equilibradas e informações suficientes, para uma conciliação.

Entenda: a meta de vocês é a compreensão mútua. Mantenha-se persistente nesse propósito. E lembre-se de que ambas as partes devem ser parceiras no processo.

Sobre a autora

Mirieli Colombo é sócia-educadora e Consultora de Desenvolvimento Externo na Nortus. Tem mais

de 22 anos de experiência atuando como consultora corporativa, desenvolvendo competências voltadas à comunicação técnica – dicção e oratória, comunicação comportamental – relacional – e a formação de líderes. Bacharel em Fonoaudiologia – Ipa. Pós-graduada em voz profissional – Ipa. Pós-graduada em dinâmicas dos grupos – SBDG. Master em Programação Neurolinguística. Personal & Professional Coaching (SBC). Estudou Comunicação Metassistêmica pelo CENEX. Formação em Coaching pela SBC. Formação em Coaching Ontológico pela Appana. Formação em Biologia Cultural com Dr. Humberto Maturana e Ximena D’Ávila pela Matriztica do Chile. Estudou Dinâmica em Espiral Integral com Dr. Darrell Gooden e Dr. Don Edward Beck. Estudou Princípios de Neurociências com a Prof. Dra. Lia Mara Rossi. Estudou Pensamento Integral de Ken Wilber com o Ph.D. Prof. Ari Raynsford.

Sobre a Nortus

A Nortus é uma instituição de desenvolvimento humano global e organizacional, referência em soluções para gestão contemporânea, fundada em 2009 e com sede em Campinas (SP). Já formamos mais de 800 gestores em todo o Brasil, atendendo dezenas de empresas e impactando o desenvolvimento de mais de 100 mil pessoas com nossa Tecnologia Comportamental Metassistêmica. Mantemos parcerias internacionais com pesquisadores do campo da psicologia social, comportamental e organizacional e da neurociência. Somos um Multiverso formado pelos Universos Científico, Estrutural, Negócios e Social. Juntos, eles atuam para cocriar condições para a ampliação da consciência humana.


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