O silêncio faz parte do diálogo?

Rafael
09/12/2021

Questionam-me se o silêncio é bem-vindo ou indesejado quando o assunto é diálogo. Percebo que as pessoas que costumam falar mais do que ouvir frequentemente são as mais incomodadas com o silêncio. E não é por acaso.

Minha resposta é a resposta dos grandes comunicadores e filósofos da humanidade: dialogar não se trata apenas de falar. É, antes de mais nada, aprender a escutar.

Para começo de conversa, escutar sem interromper o outro é um gesto de educação. Essa atitude, por si só, deveria ser uma norma de conduta social, mas é na intimidade dos lares que percebemos a origem do hábito de interromper e atravessar quem está com a palavra.

Mais do que cortesia, quando escutamos até o fim, permitimos que o outro complete seu raciocínio e, assim, podemos nos conectar com mais profundidade à pessoa que fala e com a ideia em questão. Nessa hora, para que o diálogo aconteça de fato, precisamos nos esvaziar de nós mesmos e suspender qualquer tentativa de racionalizar. Somente assim, enquanto escutamos, temos a chance de ir tomando consciência do que sentimos à medida que o outro fala.

Segundo o escritor e professor brasileiro Humberto Mariotti, a comunicação é fundamentalmente determinada pela percepção de quem a recebe, e não exclusivamente pelo que é expresso por quem comunica. Por isso, é fundamental para o desfecho positivo do diálogo perceber que emoções a fala (ou o silêncio) do outro produz em nós: impaciência? Raiva? Medo? Ansiedade? O que mais? E por quê?

Por isso, é preciso que estejamos atentos a nós mesmos enquanto escutamos. Além disso, devemos adotar uma postura de escutar até o fim, sem concordar nem discordar. Até mesmo compartilhar o silêncio, se for o caso. Isso significa observar e deixar-nos permear pelo que ouvimos. Em resumo: praticar a auto-observação é um ponto chave no diálogo, e o silêncio torna isso mais fácil.

O filósofo alemão Edmund Husserl destacou que as posturas básicas do diálogo são relativamente poucas, simplificadas assim:

  • Prestar atenção aos fenômenos quando e como eles se mostram; descrevê-los sem tentar explicá-los;
  • Respeitar as diferenças;
  • Não se deixar influenciar por pressupostos e crenças;
  • Colocar todos os fenômenos em pé de igualdade;
  • Não delimitar prematuramente o campo de observação; e ver-se como participante, não como observador.

Mas atenção: dialogar exige troca! O silêncio pode estar presente, sim, no diálogo, porém, depois de escutar, espera-se que a pessoa comunique em palavras o que pensa, seus sentimentos e percepções sobre o assunto tratado. Apenas dessa forma o objetivo do diálogo se cumpre.

Esta é a proposta que Mariotti define como: “melhorar a comunicação entre as pessoas e a produção de ideias novas e significados compartilhados. Ou, posto de outra forma: é uma metodologia que permite que as pessoas pensem juntas e compartilhem os dados que surgem dessa interação sem procurar analisá-los ou julgá-los de imediato.”

Sobre a autora

Mirieli Colombo é Sócia-educadora e Consultora de Desenvolvimento Externo na Nortus. Há mais de 22 anos atua como consultora corporativa, desenvolvendo competências voltadas à comunicação técnica – dicção e oratória, comunicação comportamental – relacional – e atua na formação de líderes. É fonoaudióloga, especialista em voz, coaching e mentora de comunicação, comportamento e liderança, e especialista em Dinâmica dos Grupos pela SBDG. Master em Programação Neurolinguística. Personal & Professional Coaching (SBC), Coaching Ontológico pela Appana e formação em Biologia Cultural com Dr. Humberto Maturana e Ximena D’Ávila pela Matriztica do Chile. Estudou Dinâmica em Espiral Integral com Dr. Darrell Gooden e Dr. Don Edward Beck.

Sobre a Nortus

A Nortus é uma instituição de desenvolvimento humano global e organizacional, fundada em 2009 e com sede em Campinas (SP), que se dedica a cocriar condições para a ampliação da consciência humana em projetos nos campos científico, social e de educação corporativa. Há mais de 12 anos vem contribuindo com o desenvolvimento humano e organizacional por meio da Tecnologia Comportamental Metassistêmica, sua metodologia genuína que já impactou mais de 50 mil pessoas.

Mantemos parcerias internacionais com pesquisadores do campo da psicologia social, comportamental, organizacional, cultural e da neurociência, como os doutores Don Beck, Darrell Gooden e Steven Poelmans.

Seguindo com a concretização do nosso propósito, não só no âmbito corporativo, a Nortus possui a célula social Neoeducar que coloca nossa tecnologia genuína, sem fins lucrativos, à disposição dos profissionais da rede pública de ensino.

Em 2020, recebemos o reconhecimento da Pesquisa Humanizadas como umas das 12 empresas do Brasil com alto nível de maturidade por meio do rating A de consciência organizacional.


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