O 8 º Encontro de Gestão Contemporânea da Nortus reuniu mais de 100 gestores e gestoras para uma tarde de palestras de sócios da Nortus e um bate-papo entre Gilberto de Souza, educador e cofundador, com o convidado Nelson Rossi, Diretor Industrial da Grendene, empresa que conta hoje com 18 mil colaboradores.
Rossi agradeceu à Nortus pelas contribuições junto às trilhas de desenvolvimento da Universidade Grendene, especialmente por apoiar o desenvolvimento de uma das habilidades mais requisitadas em sua trajetória profissional: entender de pessoas.
“Gostaria de agradecer à Nortus pelo trabalho que temos feito nos últimos 10, 15 anos, de uma parceria que influencia positivamente: uma parceria séria, honesta, profissional, cordial e sincera, que ajuda as pessoas a serem pessoas melhores.
A gente não faz com a Nortus nenhum treinamento técnico. A gente faz treinamento para ser gente um pouco melhor e, sendo gente um pouco melhor, a gente faz as outras coisas ficarem melhores também”, destacou o diretor.
Rossi iniciou sua vida profissional aos 14 anos, com emprego de carteira assinada. Experimentou a liderança, ainda na escola, como presidente do grêmio estudantil. Dedicou-se ao Senai e atua na Grendene desde 1979. Tendo começado na empresa como zelador, varrendo pátios das fábricas, passou a auxiliar de produção, auxiliar de almoxarifado, técnico, auxiliar de matrizeiro e supervisor, até que, em 1995, foi promovido à gerente de departamento. Dez anos depois, assumiu a posição de Gerente Geral, sendo, em 2016, promovido a Diretor Industrial, cargo que ocupa até hoje.

Gilberto começou o bate-papo perguntando a Rossi quais as três características que mais contribuíram para que se tornasse o profissional que é hoje — e qual foi a habilidade que mais precisou desenvolver em sua trajetória. Rossi respondeu: a dedicação em realizar uma tarefa bem-feita, que aprendeu com sua família; o posicionamento de se entregar por inteiro, gerando relações de confiança; e o comprometimento com as entregas. Já a habilidade? Saber lidar com pessoas e equipes:
“Fui buscando a lógica da humildade, simplicidade e reconhecendo que não sabia determinadas coisas. Aí fui evoluindo e constituindo processos de relações humanas confiáveis. Eu diria que tive mais chances de desistir neste momento do que em outros de minha vida. Então, se eu enfrentasse resistência lidando com alguém, ia lá conversar com aquela pessoa. Dificilmente, aquilo que é legítimo, honesto e sincero resiste à razão; resiste a seguir um fluxo natural de vida. Fui aperfeiçoando essa habilidade com a nossa Universidade Grendene que nos apoia — isso que me referi à parceria com a Nortus. Somos seres em obra”, respondeu Rossi.
Rossi falou sobre as ações de impacto social e ambiental da Grendene em parceria com a comunidade, um processo que foi moldando as lideranças ao longo do tempo. Destacou a importância da criação da Universidade Grendene, em 2016, que contempla todos os aspectos de educação da empresa e, também, temas emergentes. “Em 1994, a gente trazia quase todos líderes de fora. Nos anos 2005 a 2010, cerca de 60% a 70% dos líderes tinham sido formados na Grendene, e nos últimos três anos, temos todos os líderes formados dentro da Grendene”, inclui.
Rossi defendeu que a perspectiva integral da organização, que concilia prosperidade e propósito, conecta as novas gerações: “As pessoas precisam perceber que estamos interessados em ajudar a educação, em dar bons exemplos, em ser um elemento de segurança. As empresas que não tiverem um orçamento guardado para investir em educação e na formação, minha recomendação é que revejam a forma como elas pensam o futuro”, comenta Rossi.
Palestra sobre Gerações
O 8º Encontro de Gestão Contemporânea contou também com a palestra da sócia e educadora da Nortus, Lia Pegorelli. Lia apresentou um olhar sobre as gerações a partir da perspectiva do contexto. Conectando às eras evolutivas, Lia trouxe uma reflexão sobre o quanto os rótulos feitos por uma geração para a outra nos afastam da colaboração genuína e efetiva: “Os contextos mudam e vão convidando as pessoas a inclusões para continuarmos a sermos efetivos,” afirmou.
A palestra trouxe um resgate desde a Era da Sobrevivência (até 10.000 a.C) até chegar à Era da Consciência (2021—) e os impactos na forma de se liderar. Na Era Industrial (1750—1945), o estilo de liderança de comando e controle predominava. Naquele contexto, as pessoas eram vistas como recurso para garantir a produtividade — então, lideranças precisavam ditar o que deveria ser feito e controlar o ritmo.
Na Era da Informação (1945 – 2027), com a chegada de computadores, inclui-se a sistematização das informações com dados e medição de indicadores: “Neste contexto, pessoas passam a ser um diferencial competitivo para gerar melhoria e inovação e competitividade.” Ocorre uma explosão da concorrência e competitividade com o acesso à informação, o que impacta na dinâmica distinta de fazer e prestar serviços.
O grande ponto de virada, segundo Lia, é a entrada na Era Digital e da Conectividade (2007-2020), com a chegada dos smartphones, redes sociais e a emergência da Inteligência Artificial: “Quando temos acesso às informações com uma velocidade e quantidade incríveis, temos um aumento de complexidade gigante no nosso contexto. Estamos falando […] de um contexto altamente conectado.”

Durante a palestra, Lia explicou que Era da Consciência que estamos vivendo agora nos convoca nas habilidades essencialmente humanas para lidar com uma série contextos: conflitos, polarizações, envelhecimento populacional, saúde mental, longevidade, inteligência emocional, colaboração e necessidade de aprimoramento dos relacionamentos interpessoais.
“Até porque, se a gente tem cada vez mais respostas prontas, a nossa capacidade de analisar, de questionar, de estimular e de pensar nunca foi tão requerida como agora. É justamente o período e a era que nos convoca a sermos humanos — no que temos de essencial na palavra. Não só repetir padrões e comportamentos, e sim incluir uma grande quantidade de elementos e variáveis, sem surtar ou enlouquecer. Isso exige de nós a capacidade de priorização, de construir visão sistêmica junto às pessoas, de buscar respostas, de fazer boas perguntas e de convidar a ações que, de fato, cuidem de nosso planeta.”
A chave para superar os desafios na Era da Consciência, segundo Lia, está em sair da dualidade e julgamento de uma geração sobre as outras e entender a evolução de contexto e seus símbolos de valor para cada contexto, além de compreender que, para seguirmos relevantes, vamos precisar entender que os comportamentos são reflexos de contextos novos — mas também antigos.
O poder da Trimurti
Durante a palestra O Poder da Trimurti, o cofundador e educador da Nortus, Gilberto de Souza, pesquisador de padrões da natureza, comportamentos humanos e organizacionais, trouxe uma reflexão sobre a filosofia perene da Trimurti, a tripla divindade do Hinduísmo — e encontrou paralelos com a autoliderança e a concretização da direção estratégica das organizações.
Os três deuses Brahma, Vishnu e Shiva formam a totalidade Brahmã. Cada deidade tem uma representação e, juntas, integram passado, presente e futuro, orientadas ao fluxo da vida.
Brahma representa a criação e simboliza aquele que enxerga em todas as direções, detendo a sabedoria pela ampla visão e, assim, a possibilidade de criar o futuro. Com ele, aprendemos um ponto fundamental nesta filosofia: é necessário saber o que se quer e deixar isso muito claro em sua mente.
Do ponto de vista das organizações, esta deidade se conecta com a direção estratégica — que é, segundo Gilberto, um elemento negligenciado: “É necessário conseguir comunicar a estratégia de uma maneira tão clara que as pessoas consigam concretizá-la no dia a dia. Comunicar com extrema clareza a direção que precisamos seguir para a construção desejada. Esse é um elemento muito importante e negligenciado pelas lideranças: ter muita clareza, mas não conseguir colocar em palavras, metáforas ou indicadores para que todas as pessoas possam ter a mesma visão clara.”
Vishnu é o mantenedor, aquele que cuida das coisas do presente e que mantém a ordem enquanto a criação acontece. Com ele, aprendemos: “É importante refletir se, a cada escolha, estamos construindo ou destruindo o futuro que desejamos viver.”
O terceiro deus, Shiva, é o destruidor, e sua chegada causa tensão: “Shiva chega arrancando a cabeça de Brahma, e se coloca como aquele que veio para transformar tudo aquilo que pode impedir de você chegar na direção que disse que queria. Essa figura representa o desapego e a condição de destruir todas as coisas impeditivas de um futuro. Shiva […] carrega a coragem destemida para cortar tudo aquilo que impede — aquilo que criamos como imagem mental”, afirma.

Para a espiritualidade, esses três deuses representavam os elementos essenciais para que a vida pudesse continuar e para que a abundância pudesse estar presente. Esta mesma metáfora pode ser aplicada na estratégia e no ecossistema de uma empresa:
“Me dei conta de que é o que [a Nortus] faz quando ajudamos uma organização a se redefinir. A empresa fala: “A gente tem X anos de existência, viemos até aqui desse jeito, mas a gente está ciente de que não conseguiremos ter mais 50 anos a frente continuando desta forma, temos que nos reinventar…”
E a minha primeira pergunta é: que tipo de empresa vocês querem ser? Para onde e qual direção querem caminhar? Sem definir a rota com imensa clareza, não podemos partir para tomar decisões, pois ela só é coerente se conversar com um objetivo. Tudo começa com Brahma: ter uma ideia clara do que estamos construindo para facilitar o processo de escolhas no presente, já que, a cada momento, estamos confirmando ou destruindo a construção do que queremos”, completa Gilberto.
Na perspectiva da autoliderança, Gilberto convidou todos a refletirem sobre o benefício que o impedimento pode estar trazendo à sua vida — a ponto de não permitir a cisão e o corte que Shiva propõe: “Por vezes, há sofrimento que as pessoas não estão dispostas a abrir mão, porque o benefício do sofrimento é maior do que a imagem do que ela tem de desejado quando pensa no futuro que quer viver.”
O que participantes comentaram sobre o 8º Encontro de Gestão Contemporânea
“Eu aqui, sentado durante esta tarde, me senti naquele ano que fiz a FGC, como se estivesse revivendo aquele momento de novo. Fico feliz por estar aqui.” — Marcelo Vilela, Rede Soma Drogarias e participante da Turma 24.
“Gostaria de destacar a frase do Nelson Rossi que, na sua simplicidade, resumiu muito bem: “a Nortus transforma gente” e é esse exatamente o ponto. A Nortus transforma seres humanos antes de qualquer profissional.” — Rudimar Marques, Sulmax e participante da Turma 17.
“Foi muito legal, como sempre, todas as interações com a Nortus. Foi bem filosófico e faz a gente pensar na forma de aplicar isso no dia a dia, não só na vida profissional como na pessoal. Os exemplos do Rossi, sobre como trabalhar a questão geracional, [tornaram] fantástica a tarde.” — Valdir Roberto Koch, Friza e participante da Turma 61.
“Gostaria de agradecer à Nortus, especialmente à Lia e ao Gilberto, pelos conteúdos extremamente relevantes e por contribuírem com nosso dia a dia. A Nortus é um divisor de águas para nós do time da Marcopolo, que nos trouxe muita clareza e lucidez para gerir pessoas — porque, para nós, o mais importante são as pessoas. Estar com vocês é sempre muito enriquecedor.” — Diego Zaffari Galdino, Banco Moneo e participante da Turma 51.

“É muito bom poder matar a saudade de vocês. Estou vendo aqui a Aline, Mirian, Valdeci, pessoas que marcaram a nossa história. Quando recebi esse convite, prontamente bloqueei a agenda e falei: ‘não posso faltar!’ E eu só queria registrar, assim como os demais colegas, que o divisor de águas em minha vida não só profissional, mas pessoal, foi participar da FGC. Todos os saberes, todos os ensinamentos que vocês trouxeram, fortaleceram a minha jornada até aqui na Equatorial — e é unanimidade quando a gente conversa com os colegas que estão fazendo a Formação, sempre a opinião é a mesma, de quanto é valorosa essa contribuição da Nortus para nossa carreira, para a nossa jornada.
E participando aqui hoje a tarde, vendo a história do Rossi, eu lembrei muito do nosso CEO, Augusto Miranda, um homem também extremamente simples, que nos ensina muito com a simplicidade no dia a dia, pela forma como ele se comunica […] mas, principalmente, pela forma de entender que somos alunos vitalícios. Eu fiquei pensando a tarde inteira: preciso ser uma aluna vitalícia, acompanhar as transformações que o mercado, de fato, promove. Foi uma tarde de muitos insights e reflexões oportunas para esse momento que estamos vivendo aqui. A profissional que sou hoje, após a Turma 22: interessada, de ser protagonista e de ter autorresponsabilidade. A mudança começa em mim.
Esse legado da Nortus, a gente sempre compartilha com os colaboradores. Eu sou gestora, então eu estou sempre usando as ferramentas que vocês trouxeram pra gente lá atrás, e que são sempre atuais e imprescindíveis em nosso papel de gestores de pessoas. Obrigada pelo convite. Estarei em todos os eventos, porque eles fazem diferença na minha vida.” — Francila Soares, Grupo Equatorial Energia e participante da Turma 22.
Sobre o Encontro de Gestão Contemporânea
Este é um evento anual que reúne gestores em curso e já formados pela Formação em Gestão Contemporânea para novas reflexões sobre temas pertinentes ao universo da gestão e compartilhamento de experiências. Atualmente, a Nortus já realizou 66 turmas da FGC, com mais de 1.500 gestoras e gestores formados.