9º Encontro de Gestão: saúde mental nas organizações começa com informação e conhecimento para ampliação de consciência 

O Brasil é o país mais ansioso do mundo e o 5ª mais depressivo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado foi compartilhado pela psicóloga Carina Pirró durante o 9º Encontro de Gestão Contemporânea, evento anual realizado pela Nortus, que reúne gestores e gestoras formados e que ainda estão cursando a Formação em Gestão Contemporânea. 

O evento foi conduzido pela educadora e cofundadora da Nortus, Ph.D Miran Coden, e destacou a importância das lideranças incluírem, em seu dia a dia e nas organizações, pequenas ações para sustentar uma boa saúde mental.

A psicóloga Carina Pirró durante sua palestra no 9º Encontro de Gestão Contemporânea

 

 

Carina Pirró, especialista convidada, alertou que há uma desconexão entre os elementos importantes que fizeram a espécie evoluir e a estruturar a sua biologia e o estilo de vida contemporâneo. 

A alimentação natural, o contato com a natureza, o corpo sempre em movimento e a interação social fizeram com que a humanidade chegasse até aqui em seu processo evolutivo. Ao retirar esses elementos de seu cotidiano, a humanidade está favorecendo o estresse, a ansiedade e o comprometimento da saúde mental.

A palestra percorreu os pilares descritos no livro Medicina e Estilo de Vida – Evidências Práticas para a Saúde Física e Mental (Arthur Hirschfeld Danila, Renata Faro Guerra, André Luiz Moschetta e Hermano Tavares) que geram uma condição saudável e que estão disponíveis para aplicação: nutrição, exercício, controle do estresse, sono, relacionamentos saudáveis e substâncias nocivas ao cérebro (álcool, drogas ilícitas, cafeína e ultraprocessados).  

Impactos da inflamação crônica nos comportamentos 

Carina compartilhou conhecimentos neurocientíficos sobre como todos esses elementos impactam a fisiologia e a boa saúde de nossas células e sistema imunológico, o que requer uma combinação de cuidados de maneira sistêmica.

Um corpo que vive cronicamente inflamado, mesmo em baixo grau, alcança o cérebro e reflete um comportamento de doença. O corpo entende que está doente e começa a manifestar o comportamento de doença, com isolamento (perda do desejo de interagir), perda de motivação (dificuldade de iniciar tarefas e sentir prazer nelas) e fadiga inexplicável (apesar de sono adequado, falta de energia). 

Ao final de sua apresentação, gestores e gestoras puderam fazer perguntas sobre os desafios para a manutenção de uma boa saúde mental, como as diferentes condições sociais, as diferentes percepções que as pessoas de diferentes gerações têm sobre este tema e, também, a ansiedade e depressão por causa do endividamento.

Carina Pirró aposta em ações simples para cada um dos pilares apresentados, buscando incluí-los no dia a dia e cultura de cada organização. A abertura de espaços de diálogo e compartilhamento de informações sobre os cuidados em cada um dos pilares é uma maneira. 

“Olha quanta coisa está em nossas mãos. São informações para a gente cuidar da nossa saúde. É preciso cuidar, sem que isso vire culpa. Quanto mais conseguirmos ensinar as pessoas sobre os caminhos possíveis para a saúde mental é um ponto. O segundo é que estamos vivendo uma era de evitação. A gente não gosta de sofrer e evita aquilo que sofre. A pessoa precisa se conscientizar do que está evitando, depois pensar em caminhos possíveis para ela deixar de evitar. Para mim, a psicoeducação, que é informar, aumenta as chances da pessoa por ela própria ter liberdade de escolha. O ponto é se existe, na organização, uma cultura que precisa estar aberta para esses assuntos. Então,  quando a gente fala de segurança psicológica é muito lindo, mas eu sei nitidamente algumas empresas que não vão colocar isso em ação, porque não é um lugar seguro. Você não vai poder dar a sua opinião, porque vão cortar a sua cabeça. Às vezes, precisa subir um pouquinho, ver a cabeça do líder para ver se lá existe segurança, se ele dá espaço para as pessoas viverem segurança psicológica. E esse é o maior desafio da NR-1, porque tem muito lugar que não é seguro mesmo, e é um trabalho denso”, comenta a psicóloga. 

Complexidade organizacional vs. consciência das pessoas

Depois do intervalo, o educador e cofundador da Nortus, Gilberto de Souza, trouxe a perspectiva da saúde emocional na complexificação dos sistemas organizacionais e seus desafios. 

“Na medida que a organização vai se complexificando, ela vai sofisticando os seus processos, a sua tecnologia, os seus produtos, a forma como ela constrói valor no mercado, ou seja, aumenta a complexidade e o nível de sofisticação. O sofrimento ocorre quando a organização se complexifica em sua estrutura, nas tecnologias, nas exigências, nos processos e indicadores, começa a mensurar performance, porém não há um trabalho proporcional de elevação do nível de consciência das pessoas dentro da organização. As pessoas começam a sofrer, porque a interpretação que se faz é que está cada vez mais difícil, está cada vez mais exigente, que está errado”, explica Gilberto. 

Educador e cofundador da Nortus, Gilberto de Souza, durante o 9º Encontro de Gestão Contemporânea

 

Aumentar o nível de consciência significa aumentar o nível de conhecimento para a compreensão sobre a realidade que está sendo vivida. A metodologia das Fases Existenciais das Organizações (TFEO), desenvolvida por Gilberto de Souza, ajuda a compreender o quanto é necessário cuidar da linguagem e narrativas organizacionais nos perídos de transição de uma fase para outra. 

Por isso, Gilberto destaca a importância de se investir permanentemente nas condições de ampliação da consciência das pessoas com programas de educação corporativa. Ele explica o quanto as narrativas criadas podem influenciar as imagens mentais formadas — que impactam em hormônios que contribuem com a saúde emocional e mental das pessoas. É necessário reduzir o descompasso entre o nível de consciência das pessoas em relação à complexidade vivida pela organização. E o padrão de linguagem tem um papel importante neste processo de gerar melhores condições de saúde mental: impacta, no nível celular, na capacidade das células do corpo produzirem a energia adequada para o ser humano. 

Novidades e presentes

Além das reflexões sobre como criar boas condições em saúde mental nas organizações, as mais de 80 pessoas participantes do 9º Encontro de Gestão foram convidadas a usufruir do Coworking Nortus, criado especialmente para que clientes Nortus possam estar mais próximos. 

Mirian Coden encerrou o encontro apresentando algumas das reformulações da Formação em Gestão Contemporânea, que passa a contar com um Assistente de IA disponível para consulta 24h por dia para aprofundamento de conhecimentos dos módulos, uma série com seis Masterclasses para ampliação de repertório (Ética e Desenvolvimento, Saúde Mental e Bem-Estar, Fluência Digital, Gerações, ESG, Diversidade, Equidade e Inclusão), além de um novo Dashboard de acompanhamento do desenvolvimento na plataforma Nortus Go. 

A educadora e cofundadora da Nortus, Mirian Coden, conduziu o 9º Encontro de Gestão Contemporânea

Todos os gestores e as gestoras que participaram do encontro realizado on-line e ao vivo no dia 23 de setembro receberam como presente da Nortus um acesso à capacitação gravada Mindfulness, conteúdo ministrado por Gilberto de Souza e que apoia as pessoas a desenvolverem a capacidade de meditar e realizar autorregulação, importante para a manutenção de uma boa condição de saúde mental.

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